Juventude Hospitaleira desafia jovens a viver a Hospitalidade

Ir. Alberto Mendes sublinha que o contacto direto com as pessoas acompanhadas nos Centros Assistenciais continua a ser a forma mais eficaz de combater o estigma da doença mental e despertar para uma cultura de cuidado.

A Juventude Hospitaleira (JH) continua a desafiar jovens de todo o país a viver experiências de encontro, serviço e voluntariado junto das pessoas acompanhadas nos Centros Assistenciais da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, promovendo uma cultura de proximidade que ajuda a desconstruir o estigma associado à doença mental e a descobrir o verdadeiro significado da Hospitalidade.

Em entrevista ao Programa Ecclesia, da Agência ECCLESIA, o Ir. Alberto Mendes, coordenador da Pastoral Juvenil e Vocacional da Ordem Hospitaleira, explica que estas iniciativas que incluem campos de férias, semanas missionárias e fins de semana de voluntariado, pretendem proporcionar muito mais do que uma experiência de serviço.

"O contacto direto transforma completamente a forma como os jovens olham para a doença mental. Uma coisa é ouvir falar desta realidade, outra é conhecê-la, partilhar o dia a dia com as pessoas e descobrir que o medo desaparece quando existe encontro."

Para o Irmão, é precisamente essa experiência concreta que permite quebrar preconceitos profundamente enraizados. "A teoria é importante, mas é a experiência que muda o coração. Quando os jovens convivem com as pessoas, percebem que a doença mental não define ninguém e que a relação acontece de forma completamente natural."

O Ir. Alberto Mendes explica que foi através de um campo de férias da Juventude Hospitaleira que descobriu o carisma da Hospitalidade e iniciou o caminho que o conduziu à Ordem Hospitaleira de S. João de Deus. "A experiência do serviço, da oração, da convivência e da forma como via os Irmãos viverem a Hospitalidade marcou profundamente a minha vida e deu um novo sentido à minha vocação."

Segundo o Irmão, a presença dos jovens representa também um importante complemento ao trabalho desenvolvido diariamente pelas equipas dos Centros.

"Os profissionais asseguram diariamente o cuidado, mas a presença dos jovens acrescenta algo muito especial: tempo para escutar, para caminhar, para conversar, para brincar e simplesmente estar. Muitas vezes, aquilo de que uma pessoa mais precisa é de alguém que a escute verdadeiramente."

Durante a entrevista participou igualmente Beatriz Zacarias, voluntária da JH, que partilhou a experiência vivida ao longo de nove meses de missão em Moçambique, destacando o impacto humano e espiritual desse percurso e a importância de reconhecer que "há vida para além da doença".

Ao longo do ano, a Juventude Hospitaleira promove diversas atividades abertas a jovens que pretendam conhecer a missão da Ordem Hospitaleira e viver uma experiência de voluntariado, formação, oração e serviço, inspirada nos valores da Hospitalidade.

"Quem vier deve trazer o coração aberto. Descobrirá, quase sempre, que recebe muito mais do que aquilo que dá", conclui Beatriz Zacarias.

 

Fotografia: Agência Ecclesia/MC