A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, celebrada a 1 de janeiro, é uma das festas mais significativas da Igreja Católica e assinala o início do novo ano civil sob o sinal da esperança e da confiança. Neste dia, a Igreja contempla Maria como Theotokos, Mãe de Deus, reconhecendo o seu papel único e insubstituível no mistério da Encarnação de Jesus Cristo.
Ao proclamar Maria como verdadeira Mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a Igreja reafirma a centralidade da maternidade divina de Maria e a sua total disponibilidade e fé ao acolher a missão de ser Mãe do Salvador. Esta solenidade sublinha, assim, a profunda união entre a humanidade e a divindade de Cristo, uma união inseparável que Maria acompanhou com fidelidade, desde a conceção até à cruz, tornando-se modelo de amor, entrega e confiança em Deus.
O título de Mãe de Deus, solenemente confirmado no Concílio de Éfeso, em 431, não só reconhece a grandeza da missão de Maria, como a aproxima de todos os fiéis, que nela encontram uma presença materna, próxima e intercessora, capaz de orientar e sustentar o caminho da fé cristã.
Celebrada também como Dia Mundial da Paz, esta solenidade convida à oração e ao compromisso ativo pela construção da paz, da justiça e da dignidade humana. Neste primeiro dia do ano, os cristãos são chamados a confiar à proteção materna de Maria as suas vidas, as suas famílias e toda a humanidade, encontrando nela inspiração para viver o novo ano com esperança, solidariedade e cuidado pelos outros.
Para a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, esta celebração assume um significado particularmente profundo. À imagem de Maria, Mãe que acolhe, cuida e acompanha, a Hospitalidade vivida diariamente nas nossas unidades inspira-se numa atenção integral à pessoa, especialmente àquelas que se encontram em situação de maior fragilidade.
No início deste novo ano, confiamos à proteção materna de Maria a missão que nos é confiada, renovando o compromisso de continuar a cuidar com dignidade, proximidade, compaixão e esperança.
Que 2026 seja um ano marcado pela paz, pela solidariedade e pela fidelidade à missão hospitaleira, ao serviço das pessoas e do bem comum.
Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz
A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante
Na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026, o Papa recorda que a paz do Cristo ressuscitado é uma paz desarmada "porque desarmada foi a sua luta dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais". Desarmante porque "a bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança". Que um dos frutos do Jubileu da Esperança seja o "desarmamento do coração, da mente e da vida".
O Papa inicia sua mensagem com uma "antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas", mas que "ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa": «A paz esteja convosco!» Esta "sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade". "Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa:
A paz esteja convosco!” Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente
escreve o Papa.