Hoje celebramos o Dia de S. Bento Menni, figura central da história da Hospitalidade e referência incontornável na restauração da presença da Ordem em Portugal.
Ângelo Ercole Menni nasceu em Milão, a 11 de março de 1841. Aos 16 anos iniciou a sua vida profissional num grande banco milanês, com a promessa de um futuro promissor. No entanto, a forma como via a vida não se coadunava com essa realidade e abriu-lhe uma nova perspetiva: a de uma existência marcada pela entrega, pela consagração e pelo serviço aos mais frágeis.
Movido pela vontade de partilhar a sua vida em solidariedade efetiva, pediu para ser admitido na Ordem Hospitaleira de S. João de Deus a 19 de abril de 1860. Aí assumiu o nome de Bento Menni, fez a sua profissão solene a 17 de maio de 1864 e foi ordenado sacerdote a 14 de outubro de 1866.
Chamado a uma missão exigente pelo Superior Geral, Padre Alfieri, e pelo Papa Pio IX, S. Bento Menni foi enviado para restaurar a Ordem Hospitaleira em Espanha. A esta missão seguiu-se a restauração da Ordem em Portugal, no final do século XIX, e, mais tarde, no México, no início do século XX.
Em Portugal, S. Bento Menni teve um papel determinante no regresso e consolidação da missão hospitaleira, sendo também responsável pela fundação da Casa de Saúde do Telhal, obra que se tornou uma referência no cuidado às pessoas com doença mental e uma expressão viva do carisma de São João de Deus.
Uma pessoa vale mais que o mundo inteiro.
S. Bento Menni
S. Bento Menni fundou ainda a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, juntamente com Maria Josefa Recio e Maria Angustias Giménez, que conheceu em Granada durante a restauração da Ordem em Espanha.
Foi Superior Geral da Ordem entre 1911 e 1912. Faleceu a 24 de abril de 1914, em Dinan, França. Ao longo da sua vida criou 22 centros, entre asilos, hospitais gerais e hospitais psiquiátricos.
Em 1985 foi declarado beato pelo Papa João Paulo II, que o canonizou a 21 de novembro de 1999.
Persistente na Hospitalidade, S. Bento Menni ancorou-se na fé e na ternura de Deus, perante as injustiças respondeu com misericórdia, perante as incertezas manifestou total confiança em Deus. O seu trabalho permanece como exemplo de reconhecimento da presença de Jesus na pessoa doente: “Adoeci e visitaste-me” (Mt 25, 36).
Pioneiro no tratamento da pessoa como um todo, S. Bento Menni colocou o doente no centro dos cuidados, valorizando a atenção integral aos seus sintomas sem perder a dimensão humanizadora do cuidado. A sua vida e obra continuam a inspirar a missão hospitaleira, em particular junto das pessoas com doença mental.