O 31.º Capítulo Provincial da Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, a decorrer em Fátima, viveu ontem o seu primeiro dia de trabalhos, marcado por momentos fortes de reflexão, partilha e comunhão, que colocaram no centro a Hospitalidade como força de transformação pessoal, social e eclesial.
A Hospitalidade como fidelidade dinâmica e remédio para o mundo
Os trabalhos iniciaram-se com a Sessão de Abertura, conduzida pelo Superior Geral, Ir. Pascal Ahodegnon. Na sua intervenção, desafiou os capitulares a ampliar e difundir a Hospitalidade como uma fidelidade dinâmica, apelando a que a Província se atreva a “alargar o espaço da sua tenda”, saindo das zonas de conforto e orientando-se para as periferias.
Um chamamento claro a estar presente em todos os lugares onde a dignidade humana é ameaçada e a atualizar o carisma, reafirmando a Hospitalidade como uma medicina de urgência para um mundo doente. Sublinhou, ainda, a Hospitalidade como força de transformação social, recordando que São João de Deus não curou apenas corpos, mas cuidou integralmente das pessoas, antecipando o que hoje designamos como humanização integral.
O repto lançado foi claro: que, através das decisões e ações que vierem a ser tomadas, se mostre que a Hospitalidade é antídoto contra a indiferença e verdadeira força de cura. Destacou ainda que a Hospitalidade hoje se constrói em rede, através de uma governação inclusiva e participativa, onde os colaboradores são parte ativa e corresponsável da missão carismática, partilhada com os Irmãos e não apenas executada por eles.
Escutar o mundo e sair de nós mesmos
Seguiu-se a comunicação de abertura “Desafios à Hospitalidade num mundo contemporâneo”, com a participação de D. José Traquina, Bispo de Santarém e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.
Na sua reflexão, sublinhou que chegamos às periferias sempre que saímos de nós mesmos, reconhecendo que estas nos interpelam, nos educam e nos ajudam a compreender realidades que muitas vezes desconhecemos. Recordou ainda que Deus nos fala através dos outros e que é pelo coração humano que podemos verdadeiramente contemplar Deus.
Caminho feito e desafios do futuro
Durante a manhã teve lugar a apresentação do Relatório da Província, pelo Superior Provincial, Ir. José Paulo, onde foram apresentados os principais resultados alcançados, os aspetos mais positivos, as dificuldades enfrentadas e os desafios do quadriénio que agora termina.
Foi evidenciado o caminho percorrido em Hospitalidade, o compromisso com a missão e a necessidade crescente de expandir a Hospitalidade num mundo em mudança. Realçou-se ainda a importância de sermos uma Província una, capaz de responder a quem mais precisa através de todas as suas estruturas — Instituto SJD, Museu SJD e Fundação SJD em Portugal e Missão em Timor-Leste.
Espiritualidade, partilha e Feira da Hospitalidade
A tarde iniciou-se com um momento espiritual de reflexão e união, inspirado na parábola do Bom Samaritano. Este tempo desafiou os participantes a serem luz em união, recordando que “é a luz de cada um que ajuda a manter acesa a luz da missão”. No final, cada participante recebeu uma vela e, quando as luzes se apagaram, uma única chama iluminou-se com a luz de todos, num gesto simbólico de comunhão e corresponsabilidade.
Seguiu-se a Feira da Hospitalidade, num ambiente informal, livre e descontraído, onde cada estrutura e Centro Assistencial da Província apresentou os resultados do quadriénio, partilhou objetivos alcançados, desafios superados e perspetivas futuras. Expressando a diversidade e dispersão geográfica da Província, cada estrutura partilhou também produtos e ofertas locais das suas regiões.
A Feira culminou num momento de plenário, onde foi possível aprofundar os resultados do quadriénio e identificar, em conjunto, as principais conquistas e desafios futuros, à luz da realidade atual do mundo e da Província.
O dia terminou com as palavras do Superior Geral, que agradeceu o dia vivido e a transparência das partilhas, deixando um último apelo: sermos São João de Deus hoje, sem medo nem vergonha de sair e pedir por quem mais precisa, com outras formas e outros recursos, mas com a mesma essência.